Intenção é oferecer taxa pós-fixada aos clientes, de olho no possível recuo da Selic no médio prazo
Por Rafael Walendorffr – Brasília
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirmou que a Medida Provisória 1.314/2025, que autoriza a renegociação de dividas rurais de produtores afetados por adversidades climáticas nos últimos anos, vai ajudar a reduzir a inadimplência da carteira de agro da instituição, cujo índice está próximo de 5% atualmente.
Sem citar o número de produtores que serão atendidos, ele estimou que o BB deverá operacionalizar algo em torno de 40% dos R$ 12 bilhões liberados para a renegociação de dívidas, ou cerca de R$ 5 bilhões. A expectativa é que as operações com recursos federais comecem ainda neste mês. Na linha livre, os juros serão mais caros, mas haverá “muito apetite”, disse Bittencourt. No BB, a intenção é oferecer taxa pós-fixada aos clientes, de olho no possível recuo da Selic no médio prazo.
“Imaginamos que a MP ajudará na redução da inadimplência, não só a que já existe, mas também a futura, pois vai abranger a parte dos produtores que estão em dia, mas renegociaram, e estão com fluxo de caixa apertado”, afirmou a jornalistas nos bastidores de um evento na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na quinta-feira (18/9).
A implementação da MP ainda depende da publicação da regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da normatização pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“A partir daí, mais alguns dias, já vamos poder operar as renegociações para atender esses 5% de produtores que estão inadimplentes [na carteira agro do BB]”, acrescentou.
A linha de crédito para renegociação de dívidas terá limites para pequenos, médios e grandes produtores de R$ 250 mil, R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões, e juros que variam entre 6%, 8% e 10% ao ano, respectivamente. O prazo é de até nove anos para pagar, com um de carência.
Na linha livre, os juros serão mais caros, mas haverá “muito apetite”, disse Bittencourt. No BB, a intenção é oferecer taxa pós-fixada aos clientes. “Como a expectativa é que a Selic caia, vamos estimular que produtores trabalhem com operação pós-fixada”, sinalizou.
Segundo ele, haverá demanda pela linha livre, pois parte importante da inadimplência está com produtores que já operam com juros de mercado, com empréstimos acima dos R$ 3 milhões, que é o limite das linhas tradicionais do recurso equalizado.
“Esses produtores têm boa rentabilidade para taxa livre, mas por algum motivo de quebra, de piora de fluxo de caixa ou pelo aumento da Selic, tiveram esse fluxo prejudicado e gerou inadimplência”, acrescentou. “Se conseguir dar prazo a esse produtor, mesmo a taxa livre, é viável. A expectativa é que durante a carência esse produtor pague os juros e não vá acumulando os juros no valor da dívida”, completou.




