Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, conquistar o mercado japonês reforça a posição do Brasil como potência na pecuária e expõe o incômodo de grandes exportadores com a competitividade brasileira.
Por: Camila Ferreira 08/11/2025
O Brasil está prestes a conquistar um dos mercados mais desejados do mundo para a carne bovina: o do Japão. Após mais de duas décadas de negociações, o governo japonês deve enviar ainda neste mês de novembro uma missão de auditores para inspecionar frigoríficos brasileiros, passo decisivo para a abertura comercial.
Segundo o engenheiro agrônomo Alcides Torres Jr., ou simplesmente Scot, como é conhecido, diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), essa conquista tem peso não apenas econômico, mas também simbólico.
“O Japão paga uma das maiores médias por tonelada de carne bovina e é extremamente exigente em sanidade e qualidade. Se o Brasil conseguir acessar esse mercado, abre caminho para outros países com o mesmo padrão, como Indonésia e Vietnã”, afirmou no programa Terraviva DBO na TV, exibido na quarta-feira (5/11).
Para o analista, o esforço de diversificar as exportações é essencial para reduzir a dependência da China, hoje principal destino da carne bovina brasileira. “Cada novo mercado exige mais do setor, mas também traz mais prestígio e estabilidade. O Brasil tem mostrado que pode atender aos padrões mais rigorosos do mundo”, disse.
Scot também comentou o incômodo que o desempenho brasileiro tem causado a grandes exportadores tradicionais, como Estados Unidos e Austrália. “Eles se perguntam como um país de ‘terceiro mundo’ consegue produzir carne com tanta qualidade e eficiência. É porque a gente trabalha direito. Pelo menos na agricultura e na pecuária, o Brasil é de primeiro mundo”, provocou.
Mercado do boi firme e reposição em alta
Além do cenário internacional, Alcides destacou a força do mercado doméstico. A arroba do boi gordo segue valorizada em novembro, impulsionada pelo consumo interno, pagamento do 13º salário e exportações recordes.
Com menor oferta de vacas e boa retenção de fêmeas durante a estação de monta, o analista prevê preços firmes também no mercado de reposição, beneficiando criadores e confinadores.
“Hoje, a relação de troca está mais favorável, os custos de alimentação caíram e o mercado está equilibrado. O momento é positivo para quem produz”, avaliou.




