Declarações estão em um vídeo divulgado por conselho ligado ao Poder Judiciário em reação ao conteúdo de um livro sobre a rotina no presídio.
Por Carlos Santos g1 Vale do Paraíba e Região
Presos na P2 de Tremembé, cadeia do interior de São Paulo conhecida por abrigar condenados em casos de grande comoção social, o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand falaram sobre como é a rotina atrás das grades e negaram ter privilégios ou tratamento diferente dos outros detentos.
“Aqui o objetivo é reeducar, ressocializar aqueles que cometeram erro. Nunca tive nenhum tipo de liderança aqui, nenhum lugar. Aqui quem manda são os guardas, como falei para senhora, e nós, reeducandos, só obedecemos”, diz Robinho.
“Tremembé pra mim é ruim porque é longe de São Paulo, mas é o lugar que me foi recomendado pelas atividades de ressocialização, pelo foco na reeducação”, afirmou Thiago Brennand.
As declarações deles fazem parte de um vídeo divulgado nesta terça-feira (28) pelo Conselho da Comunidade de Taubaté, uma entidade sem fins lucrativos, criada por iniciativa da juíza Sueli Zeraik com objetivo de apoiar o Poder Judiciário, em reação ao conteúdo do livro “Tremembé, o presídio dos famosos”, do jornalista e escritor Ulisses Campbell.
O autor diz que o livro “nasceu de dois anos de investigação e escrita” e mostra “como o choque de classes se materializa entre os muros. Presos pobres lavam roupas, limpam celas, cozinham para os mais ricos em troca de pequenas quantias. No topo da cadeia estão ex-juízes, empresários e políticos”
O vídeo tem quase 9 minutos de duração e começa com uma mensagem: “Em um mundo cheio de mentiras e notícias falsas, é fundamental contar histórias reais”. Além de Brennand e Robinho, nas imagens também aparece a juíza corregedora da 1ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté, Sueli Zeraik.
“Como juíza corregedora há mais de 20 anos das unidades prisionais que são citadas nessa obra, envolvendo pessoas que estão no sistema carcerário ou que já passaram por ele no cumprimento de pena, eu posso seguramente afirmar que os fatos retratados nesse livro não correspondem à verdade”.
Sueli Zeraik ainda diz que o escritor “não chegou sequer a ingressar nas unidades prisionais que ele cita” e “não entrevistou nenhum dos presos que ele menciona como protagonistas ou personagens das histórias que ele conta”.
“Até porque para ingressar numa unidade prisional ou para entrevistar algum sentenciado é preciso de autorização judicial e administrativa, que ele não obteve. Portanto, o que ele escreveu foi uma obra de ficção”.
Brennand também faz críticas ao afirmar que o livro “pinta imagem de um lugar macabro, de uma coisa que não tem nada a ver” e que é um “desserviço, que não consegue fazer bem a ninguém”.




